segunda-feira, 8 de maio de 2017

O brasileiro e o culto ao diploma


“Estude muito para passar numa boa universidade e ser alguém na vida.” 

Quem nunca escutou essas palavras na vida?

Apesar de 80% dos universitários brasileiros serem analfabetos funcionais, a presença do culto ao diploma é cada dia mais forte. Vivemos em um país no qual é dado muito mais importância a um pedaço de papel chamado diploma do que para o conhecimento adquirido pela pessoa ao longo da vida. Independente do quanto você saiba sobre determinado assunto, se não possuir um diploma, você não será levado a sério ou, no mínimo, não ganhará tão bem quanto um possuidor do papel.

Eu sou universitária. Faço pedagogia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Lembro até hoje de um dia do meu segundo período da faculdade, cheguei atrasada e sentei num lugar muito ruim, eu não enxergava o quadro, então perguntei a menina ao meu lado o que estava escrito e olhei para o seu caderno. Fiquei horrorizada. Sim, essa é a palavra. Horrorizada. Em seu caderno estava escrito as palavras: “criãnça”, “cherox”, “célebro”. A UERJ tem vestibular com duas fases, tem redação, tem todo um processo para conseguir uma vaga no curso desejado, como ela conseguiu passar?

E mais: o curso que ela faz é pedagogia! Ela se formará na faculdade, fará concurso público para professora e dará aula para o seu filho.

E o pior: alguém que não tem o diploma de pedagogia, mas que seja ótimo alfabetizador, não poderá dar aula, pois falta-lhe o papel.

Conheço uma pessoa que foi alfabetizada em casa pela avó que mal concluiu o ensino fundamental, também conheço pessoas que estudaram nos melhores colégios do Rio de Janeiro, que sabem juntar as silabas, mas não entendem o que leem.

Conheço camelôs, garis, empregadas domesticas, donas de casa que leem sobre tudo, sabem conversar sobre política, física, literatura, como também conheço universitários que apenas leem as xerox indicadas pelos professores e escrevem tão mal que é preciso traduzir o que eles dizem.

Se olharmos para a realidade, o que vemos é uma geração de universitários idiotas úteis e de doutores analfabetos funcionais e desempregados.


Esse é o Brasil: o país que valoriza o papel, não o conhecimento.

4 comentários:

  1. Como sempre sensacional, parabéns Jennifer. Um beijão!!!

    Eita "célebro"bom, kkkk.

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  2. Muito Bom! É difícil estarmos em um país que está contaminado indiretamente pela Pedagogia "Paulo Freire" e cuja a Pseudo Intelectualidade Narcisista que prima pela desinformação e que valoriza o papel em detrimento do conhecimento.

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  3. Estou no segundo período do curso de Geografia na UERJ e posso dizer que esse texto reflete a realidade

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