sábado, 17 de setembro de 2016

DESABAFO SOBRE A MORTE: EU PERDI MINHA MÃE


Não é um artigo sobre política. É só um desabafo. Uma reflexão sobre a morte... e sobre a vida.



Ultimamente tem se falado muito sobre a morte trágica do ator Domingos Montagner, o Santo de “Velho Chico”. Ele viajou para gravar algumas cenas da novela, foi tomar banho no rio e não voltou mais. Não voltou mais. Eu não gosto de novelas e nem assisto, mas a morte do ator me trouxe muitas lembranças.

Há exatamente um ano atrás minha mãe estava internada no hospital correndo risco de morte e um mês depois, no dia 12 de outubro, dia das crianças, ela se foi.

Ela não está mais na cozinha fazendo comida e ouvindo rádio, não está mais se arrumando toda terça-feira para ir à igreja, não está mais brigando comigo e implicando com meus namorados, não está mais no sofá me esperando chegar da rua para poder ir dormir na cama, não está mais sorrindo com os olhos ou resmungando pela casa quando alguém faz algo que ela não gosta, não está mais brigando com minhas primas e tias porque elas estão usando blusa "tomara-que-caia", não está me perguntando mais se orei antes de sair de casa, não está fazendo o bolo de chocolate dela.

Ela não está mais aqui.

E assim se vão os dias...

Minha mãe foi embora. Ela morreu.

Mas como pode ser verdade? Minha mãe só tinha 53 anos, eu só tinha 24. Não podia ficar sem minha coluna! Ela não vai na minha formatura da faculdade? No meu casamento? Não vai procurar um vestido de noiva comigo? Nem vai ver o nascimento do meu primeiro filho? Isso não podia estar acontecendo comigo. Como eu vou conseguir amar alguém se a pessoa vai embora a qualquer dia, a qualquer momento?

Então, mais questionamentos começam a surgir: será que fui uma boa filha? Ela tinha orgulho de mim? Será que ela me perdoou por todas as vezes que brigamos quando eu era adolescente? Quem iria orar por mim agora?

Às vezes, lá no fundo, achamos que as pessoas são eternas, que sempre haverá um amanhã, uma segunda chance de pedir perdão, de demonstrar o amor, de dizer “eu te amo”. Mas a morte é certeira. Ela leva sem avisar. E, por mais que a gente brigue com Deus, reclame da vida, chore, grite, a morte leva e não devolve. As pessoas se vão. 

Durante nossas vidas as pessoas vão morrer, até chegar nossa hora de partir também para o desconhecido. E é diante da morte, da dor da perda, que começamos a refletir sobre demonstrar mais amor, a abraçar mais forte, a ficar mais tempo juntos com quem ainda não passou pelos portões da morte, a ver mais o pôr do sol, a se importar menos com problemas tão pequenos, a perdoar, a valorizar mais a vida. 

A valorizar mais nossa mãe e nosso pai.

A vida é frágil demais.

Mãe, sinto sua falta todos os dias e sei que nos encontraremos na eternidade.




Combateste o bom combate, findou-se a carreira, guardaste a fé.”

6 comentários:

  1. Aquele momento que a gente percebe que a vida e tão frágil quanto um espelho quando se quebra.
    Sinto tanta falta dela,dos conselhos,do bolo de chocolate e do jeito dela de me proteger.
    Amava tanto que tinha como uma mãe e que nada e nem ninguém vai tirar isso,nunca vou esquecer da alegria que ela teve ao me ver no hospital e me conforta e saber que agora ela ta bem e conquistou o que sempre lutou aqui na terra a sua coroa da vida no céu.
    Te amo nice!
    Sempre será lembrada por todos e principalmente por mim!

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  2. Que lindo Jenifer.... Eu tenho certeza que de onde estiver está olhando por vc minha amiga. Fico muito feliz em ver a mulher que vc se tornou, ela teria muito orgulho de vc. Bjs no seu coração minha flor, te adoro e sinto saudades de vc.
    * Até hj quando leio a sua dedicatória no livro que me deu de presente eu choro e me emociono.

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  3. Amiga...sem palavras pra sua declaração.. mas sucintamente te digo, é bem isso mesmo!��

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  4. Seu texto é próprio e tomará que sirva para despertar a tantos que não tem essa perceção da fragilidade da vida! Amei essa parte:"Às vezes, lá no fundo, achamos que as pessoas são eternas, que sempre haverá um amanhã, uma segunda chance de pedir perdão, de demonstrar o amor, de dizer “eu te amo”. Mas a morte é certeira. Ela leva sem avisar. E, por mais que a gente brigue com Deus, reclame da vida, chore, grite, a morte leva e não devolve. As pessoas se vão".
    Li no seu texto, que vc assim como eu, as vezes, faz referência a ela no presente, eu também não me acostumei...Alguém que nos amou tanto,não é? Ela viverá em nós, ontem, hoje é sempre! ��

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  5. Seu texto é próprio e tomará que sirva para despertar a tantos que não tem essa perceção da fragilidade da vida! Amei essa parte:"Às vezes, lá no fundo, achamos que as pessoas são eternas, que sempre haverá um amanhã, uma segunda chance de pedir perdão, de demonstrar o amor, de dizer “eu te amo”. Mas a morte é certeira. Ela leva sem avisar. E, por mais que a gente brigue com Deus, reclame da vida, chore, grite, a morte leva e não devolve. As pessoas se vão".
    Li no seu texto, que vc assim como eu, as vezes, faz referência a ela no presente, eu também não me acostumei...Alguém que nos amou tanto,não é? Ela viverá em nós, ontem, hoje é sempre! ��

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  6. Lindo seu artigo Jeniffer. E por ter tido o privilégio de ter conhecido a sua mãe e de poder tê la como minha amiga eu posso te afirmar, sem a menor sombra de dúvidas, que ela ficaria muito orgulhosa de você! Orgulhosa em ver seu amadurecimento, orgulhosa por ver todo seu esforço e pela força que você vem mostrando ter,e principalmente orgulhosa por você estar nos caminhos do Senhor. Que Deus te abençoe sempre. ����

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