quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O QUE VEM DEPOIS DO IMPEACHMENT?



Hoje, dia 31 de agosto de 2016, é um dia histórico para o Brasil. Felicidade para uns, tristeza para outros, mas mesmo assim continua sendo um dia histórico. A presidente Dilma Vana Rousseff sofreu o impeachment, ou seja, a perda do mandato por conta de um crime de responsabilidade garantido pelo artigo 85 da Constituição Federal. Foram 61 votos a favor do impeachment e 20 contra no Senado Federal. E apesar do impedimento, ela conseguiu se manter elegível pelos próximos oito anos e assumir cargos públicos sem nenhum problema, porque foi separada a votação: primeiro fizeram a do impeachment e depois sobre a perda dos direitos políticos.

O substituto imediato da presidente afastada é seu vice, Michel Temer, ou seja, quem votou na Dilma, automaticamente votava no seu vice para ficar na reserva e assumir caso acontecesse algo com ela. Simples!

Mas e agora? Temer assume e mais o que?

Dilma ainda pode recorrer à justiça para reverter o impeachment de três maneiras:

1  1 -    Solicitar que o Supremo Tribunal Federal julgue se houve ou não o crime de responsabilidade;
      2  -    Entrar com um pedido de revisão da decisão
3  3 -    E um pedido liminar de suspensão do processo do impeachment na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos. Esse já foi iniciado.

Porém, o que quero alertar aqui é: fiquem de olho nas aulas de História. Repetidamente temos vistos discursos de golpe, apesar de o impeachment estar garantido pela Constituição Federal. Já estamos cansados também de saber que os livros de história deturpam os acontecimentos com o intuito de satisfazer um interesse político. Eu, por exemplo, um dia desses, estava lendo um artigo de uma matéria da faculdade que dizia: “o socialismo deu certo em vários países”, porém o artigo não dizia onde nem quando deu certo, simplesmente porque isso nunca aconteceu. Todos os países que tentaram implantar o socialismo acabaram com muitas mortes e com a clássica desculpa: “deturparam Marx.” Coloca aí na conta de Stalin 23 milhões de mortes, na de Mao Tse-Tung 78 milhões. Che Guevara, em seu discurso para ONU foi aplaudido de pé quando disse: “Fuzilamentos ? Sim! Temos fuzilado, fuzilamos e seguiremos fuzilando sempre que for necessário. Nossa luta é uma luta até a morte!”

Fiquem de olho!


Será ensinado para as crianças que Dilma sofreu um golpe de Estado, que o PT estava certo e se formará uma nova geração que acredita nos contos PTistas. Afinal de contas, a PTista Dilma Rousseff, com seu vocabulário impecável, saiu da presidência, mas todos os outros cargos importantes estão nas mãos deles ainda. O PT aparelhou tudo. Ainda bem que hoje temos a internet para registrar os verdadeiros fatos. 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O OUTRO LADO DO REGIME MILITAR




Toda história tem, pelo menos, dois lados e duas versões. Porém, é notório que, nos livros do MEC e na mídia, a maioria dos assuntos é contada com apenas uma versão, principalmente quando diz respeito ao governo militar, por isso o objetivo desse artigo é abordar essa época tão polêmica do nosso país na visão dos próprios militares. Então, vamos lá:

Eu tinha 14 anos de idade quando tive minha primeira aula sobre o regime militar. Me lembro como se fosse ontem eu chegando em casa muito assustada e questionando:
- Mãe, como você conseguiu sobreviver ao período do governo militar no Brasil?
- Ué? Por quê?
- Mãe, teve torturas com a população, mortes, os porões da ditadura!
- Onde aconteceu isso? Nunca fui torturada nem tive amigos que foram, andava na rua tranquilamente e não tinha tantos bandidos na rua como hoje.
Então, comecei a me questionar: quem estava mentindo para mim?

O cenário mundial era de muita tensão. Em 1962 houve a crise dos mísseis de Cuba onde um avião espião dos Estados Unidos descobriu que a União Soviética havia instalado uma base militar em Cuba com mísseis tão potentes que seriam capazes de atingir 70% do território americano. Mísseis centenas de vezes pior que a bomba de Hiroshima se for comparar. O mundo estava à beira de uma guerra nuclear. Em 1964, os brasileiros e o resto do mundo ainda viviam com medo devido às memórias de outubro de 1962, além do fato que a esquerda comunista, sempre muito bem organizada, estava pronta para uma revolução igual a de Cuba. Havia inúmeros conflitos políticos e sociais. Greves e mais greves se espalhavam pelo território brasileiro. Escolas, serviços públicos, bancos, transportes, tudo era paralisado. Sem contar as filas intermináveis para a compra de alimentos, em toda parte faltavam gêneros alimentícios de primeira necessidade e a inflação era absurda. O caos estava formado.
O presidente da época era João Goulart, o qual reatou relações diplomáticas com URSS, negociou diretamente com o Partido Comunista Brasileiro e fez acordos políticos formando uma frente popular para a unificação das forças esquerdistas.
Diante desse cenário de incertezas e com medo do dia de amanhã o povo clamou aos militares para que intervissem na situação do país. E no dia 31 de março do ano de 1964, madrugada de 1º de abril, os militares, atendendo o pedido da população, bloquearam as ruas das principais cidades brasileiras e instauraram um novo governo no Brasil. Os comunistas, inclusive, João Goulart, fugiram para embaixadas de países simpáticos às suas ideologias. O país inteiro foi salvo de uma ditadura comunista e uma provável guerra civil. Não houve nenhuma morte.
           “...Eu tinha 17 anos, me lembro bem da festa que meu pai e seus amigos fazendeiros fizeram quando os militares assumiram o poder, livrando o Brasil do iminente perigo do comunismo. Dali pra frente foi um tempo de paz e segurança nas cidades, prosperidade e crescimento.” Escreveu Maria de sena bezerra no blog do Vicente Alencar.

Em 1966 a contrarrevolução completava dois anos e solenidades eram realizadas pelo povo e pelos militares por todo o país. Em Recife, milhares de pessoas estavam reunidas no Parque Treze de Maio quando sofreram uma violenta explosão, seguida por uma grande nuvem de fumaça. Esse foi o primeiro ataque terrorista realizada pelos comunistas. Ao mesmo tempo, mais uma bomba explodia na residência do comandante do IV Exército, e outra bomba que felizmente falhou foi encontrada num vaso de flores da Câmara Municipal de Recife.
Cinquentas dias depois dos primeiros ataques terroristas foram arremessados uma banana de dinamite e dois coquetéis “molotov” contra os portões da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco.
Completos quase 4 meses da explosão da primeira bomba, os comunistas lançaram mais três bombas no dia 25 de julho de 1966, colocadas na União dos Estudantes de Pernambuco e no Aeroporto de Guararapes onde houve dois mortos e treze feridos graves, dentre eles, uma criança de apenas seis anos.
A esquerda estava organizada em grupos terroristas com ajuda de Cuba, China e URSS: bombas, sequestros, assaltos, assassinatos eram praticados com o intuito de instaurar uma ditadura socialista no país.
             “Todos os principais ex-guerrilheiros que se lançam na guerra política costumam dizer que estavam lutando pela democracia, eu não tenho condições de dizer isso, eu estava lutando contra uma ditadura militar, mas se você examinar o programa político que nos movia naquele momento era voltado para uma ditadura do proletariado... A luta armada naquele período não estava visando a democracia, pelo menos no seu programa” Afirmou Gabeira em entrevista disponível na internet.

Devido às atrocidades que a esquerda praticava, matando inocentes em prol de sua ideologia foi que se iniciou a luta armada no Brasil. Os militares e os comunistas pegaram em armas. Os esquerdistas se infiltraram nas universidades, escolas e na mídia com o intuito de incitar a luta armada contra os militares, foi nesse momento da História que foi instaurado o temido Ato Institucional nº 5 que concedia poderes especiais ao presidente, o qual podia: suspender direitos políticos de qualquer cidadão e a censura prévia de músicas, jornais e livros.

Só nesse momento pode-se chamar de ditadura, e uma ditadura bem leve se comparar com as ditaduras modelo que os comunistas queriam imitar.

Num Brasil de mais de 100 milhões de habitantes 500 morreram, incluindo militares. Na Cuba socialista com 5 milhões de habitantes, 17 mil foram mortos. Número mais de mil vezes maior que o caso brasileiro. Comparando com os dias de hoje: Só em abril de 2016 no Rio de Janeiro houve 453 homicídios e nos primeiros 4 meses do ano houve 1.700 homicídios. E muitos dizem que hoje é melhor. A conhecida “falsa paz”.

Durante os 20 anos de regime militar houve o crescimento do PIB de 14%, a criação da Eletrobras, construção de quatro portos e recuperação de mais vinte, implementação do metrô em SP, RJ, BH, Recife e Fortaleza, construção da ponte Rio-Niterói, construção da Rodovia Rio-Santos (BR 101), criação da Embratel e Telebrás, FGTS, PIS, PASEP, mas os livros insistem em tratar esse período como algo traumático, assustador e desumano. Houve erros no governo militar como em todo governo há. Pessoas morreram dos dois lados, os dois lados pegaram em armas. O Brasil estava em guerra e não há nada de bonito na guerra a não ser a vitória.

Acredito que o desabado a seguir de uma Major da Força Aérea Brasileira resume bem o sentimento dos militares de hoje e também dos que lutaram pelo Brasil naquela época:

“Por que algumas pessoas ainda veem a palavra "militar" relacionado a ditadura militar, golpe militar ou intervenção militar? Desapega disso, meu povo. As Forças Armadas estão aí do lado da população. Aos trancos e barrancos e por amor à nossa Bandeira, por amor a você que está aí reclamando. Se precisar aquele soldado vai morrer por sua causa, sabia?! 
Pode ter tatuagem nas FFAA? Pode. Mais até que muito concurso público civil por aí.
Pode ter homossexual? Pode. Inclusive podem colocar seus companheiros como dependentes com direito a assistência médica, odontológica, etc...
Pode ter mulher? Pode.
Não só pode como a última Força que faltava incorporar mulheres na carreira combatente era o Exército e isso ocorrerá em 2017.
Pode gostar da Dilma? Pode, o mal gosto é de cada um...rsrs
Pode gostar do Bolsonaro? Pode também.
Pode subir o morro? Pode
Pode matar vagabundo? Não.
Pode trabalhar 24h? Pode
Pode receber hora extra? Não.
E adicional periculosidade? Não né!
E adicional noturno? Também não.
Pode entrar em greve? Não.
Pode fazer a segurança de grandes eventos? DEVE!
E se numa dessas o militar morrer? Ué "acontece". Estava cumprindo seu dever.
Vai ter cortejo? Não.
Vai ter luto oficial? Não.
Vai ter direitos humanos? Não.
Vai ter mais uma família desolada. Só isso.

E o “mimimi” continência nas olimpíadas, “mimimi” ditadura, “mimimi” golpe, “mimimi” torturadores continuam.
Assim como nossos soldados continuam lá, de prontidão, 24h/dia, 7 dias/semana, protegendo você, eu e nossas famílias. Tenho orgulho de poder atender e cuidar um pouquinho desses militares!”

A semelhança entre Deus e os militares é que eles sempre são lembrados em momentos difíceis.
Sempre protegeram a nação, nos protegeram no passado, nos protegeram nas olimpíadas do Rio de Janeiro e nos protegerão sempre.


UM VIVA AOS MILITARES!


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Uma análise sobre os contos de fadas

Era uma vez…
Todos nós, independente da idade, gênero ou posição social já ouvimos essas três “palavrinhas mágicas” alguma vez na vida. Era uma vez os contos de fadas. “Cinderela”, “Branca de Neve” e “A Bela e a Fera”são contos diferentes, mas com muitos pontos em comum. Há uma menina, uma dama em apuros, e uma madrasta ou rainha má que quer destruí-la, e então aparece um príncipe, um homem, um protetor e lhe salva, eles se apaixonam, encontram o amor verdadeiro, se casam e vivem felizes para sempre.
A estrutura dos contos de fadas ficou assim durante muito tempo, até que surgiram as novas histórias infantis. Elas continuam com uma estrutura pré-definida, só que bem preocupante. Cada vez mais busca-se acabar com a figura do príncipe: aquele homem forte, bonito, em busca de aventura, pronto para lutar e salvar a princesa indefesa e pedi-la em casamento. Ser seu protetor e seu provedor para sempre. Agora o que encontramos nos novos contos de fadas é um “príncipe” metrossexual, ocupado demais com seu cabelo para ter tempo de salvar a princesa, ou um príncipe aproveitador que quer te conquistar para explorar você e sua família. O príncipe encantado clássico não existe mais nos contos atuais.
A figura da mulher também sofreu mudanças. A princesa não quer mais ser salva, ela é sua própria heroína, é independente.
Resumindo a mensagem que os novos contos de fadas passam para nossas crianças: os homens não são mais necessários. Mulheres não querem ser salvas. Acabou a ideia do amor romântico.
Pode até parecer, mas não venho por meio desse texto falar mal dessas novas histórias, algumas delas até me tiraram muitas gargalhadas. Meu objetivo aqui é fazer uma análise e procurar uma resposta do porquê tirar a figura masculina da questão e como isso atinge as crianças. Eles nos ensinam que a mulher deve procurar seus princípios pelo amor feminino, seja como mãe, irmã, filha, amiga. O papel da mulher é ser forte, independente, conquistar seu espaço. Doçura? Paciência? Sensibilidade? São para mulheres antigas, ultrapassadas e fracas. E o papel do homem? Nem é citado. É aí que chegamos ao X da questão: por que a figura masculina foi deixada de lado? Os contos simplesmente foram se adaptando à sociedade e para entendermos como tudo começou precisaremos viajar pela história.
Desde a idade da pedra o homem fazia três coisas: trabalhava, cultivava e protegia. Através de toda a História eles foram julgados pelo seu trabalho duro e pela proteção que davam às suas mulheres e filhos. As mulheres viam seus homens como conquistadores, provedores, heróis, mas em um momento da História isso mudou. As mulheres viraram suas próprias heroínas. Talvez tenha sido porque os homens esqueceram como era ser um herói ou talvez porque elas não queriam mais ser protegidas, ou os dois. Seja qual for o motivo, o mundo tirou do homem as razões para ser um homem. Elas disseram que ele não era mais importante. E quando isso aconteceu o mundo virou de cabeça para baixo.
Tudo começou com um movimento muito conhecido chamado feminismo, principalmente no pós-1968. Não vou contar a história de como ele se desenvolveu aqui, deixarei isso para outro texto, mas para resumir: um grupo de mulheres que se diziam cansadas da opressão masculina resolveram lutar por direitos iguais. Para elas, era opressão demais ficar dentro de casa protegida, cozinhando e cuidando dos filhos enquanto os homens iam para a guerra, caçar e trabalhar para trazer seu sustento e de seus bebês. Elas ganharam essa batalha. Mas o que, de fato, as mulheres ganharam com o feminismo? Nada. As mulheres ganharam o direito de trabalhar? Na verdade, elas perderam o direito de NÃO trabalhar. Antigamente, quando uma mulher se casava, ela tinha todo o direito de ficar em casa e o marido tinha a obrigação de sustentá-la. E isso foi perdido para sempre.
Foi tirada do homem a responsabilidade de ser o provedor.
O feminismo veio para acabar com a imagem masculina, é o ódio ao homem. E, antes que as feministas venham me xingando, e também para não ficar apenas nas minhas palavras veja abaixo algumas frases de líderes feministas:
Quando uma mulher atinge orgasmo com um homem ela está apenas colaborando com o sistema patriarcal, erotizando sua própria opressão…” Sheila Jeffrys, professora feminista lésbica e ativista política
Imagina que opressão horrorosa, não é mesmo?
Todos os homens são estupradores e é tudo o que eles são. Eles nos estupram com seus olhos, suas leis e seus códigos.” Marilyn French, novelista e feminista americana
Cuidado, homens, ao olharem para as mulheres, vocês podem estar a estuprando sem perceber.
Numa sociedade patriarcal, toda relação sexual heterossexual é estupro porque as mulheres, como um grupo, não são fortes o suficiente para consentir.” Catherine MacKinnon in “Professing Feminism: Cautionary Tales from the Strange World of Women’s Studies, p. 129”
TODA relação sexual heterossexual é estupro?
Homens que são acusados injustamente de estupro podem às vezes ganhar com a experiência Catherine Comins, Universidade Vassar assistente de reitor da Student Life in Time, Junho 3, 1991, p. 52..
Sem comentários.
Isso tudo se refletiu nos contos de fadas.
Mas talvez ainda exista um príncipe por aí procurando uma princesa que mesmo estudiosa, trabalhadora e independente tem o desejo dentro de si de ser resgatada.
*Jenifer Castilho é estudante de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

O PROBLEMA DA ESCOLA COM PARTIDO

“Mentiram para você na escola”. A primeira vez que ouvi essa frase, eu tinha 15 anos e fiquei horrorizada. Na minha mente, os professores eram os detentores do saber, os sábios que me passavam a sabedoria, eles não fariam isso comigo, eram proibidos de mentir.
Quando eu tinha 17 anos, um professor fantástico chamado Nelson Santos, que fazia da Química algo fácil, disse com muita humildade na primeira aula que ele não sabia de tudo e podia errar. E, por incrível que pareça, foi nesse momento que me toquei que os professores podem se enganar.
Porém, a questão do Brasil atualmente é mais preocupante que um simples erro acidental de um professor isolado. Histórias erradas estão sendo contadas e passadas para a frente, os alunos as tomam como verdade absoluta, não questionam, não pesquisam para confirmar se o professor está falando o que realmente aconteceu, afinal de contas, o trabalho dele é ensinar o correto.
Quem nunca ouviu falar, por exemplo, sobre a Revolução Industrial? Esse assunto é tratado e repetido nas aulas de história, de sociologia e também nas aulas de políticas públicas nas faculdades. Se você se lembrar ou, por acaso, pesquisar no Google, as informações que virão sobre esse período da história serão as seguintes: houve uma mudança na organização econômica da sociedade ocidental, os trabalhadores tornaram-se mãos-de-obra barata e abundante nas fábricas, jornadas de trabalho diárias por volta de 14 horas, trabalho feminino e infantil mais barato, por outro lado, a burguesia industrial vivia bem, ostentava luxo. Assim surgiu a desigualdade social e, buscando impedir que essa questão social destruísse por completo a sociedade, surgiram pensadores, salvadores da pátria, que apresentaram teses para explicar sobre a existência da desigualdade social e apontaram soluções para acabar com ela.
Esses autores defendiam que o modelo liberal de economia devia ser repensado. Segundo Karl Marx, por exemplo, a desigualdade social é fruto do sistema capitalista e a solução seria a extinção da propriedade privada dos meios de produção. O socialismo tiraria o proletariado da opressão e criaria um mundo sem desigualdades social, com gestão coletiva e sem divisão de classes no sistema econômico. Alguns autores que li até ousam dizer que “vários sucessos foram alcançados nesse sentido”, só não informaram onde e quando.
Ou seja, a história mentirosa contada nas escolas, e até mesmo nas universidades, sobre a Revolução Industrial é claramente uma propaganda para o sistema socialista, pois ele vai libertar os oprimidos de seus opressores, e também é uma crítica ao capitalismo, pois ele gera pobreza e fome. O projeto Escola Sem Partido quer evitar exatamente isso que está acontecendo nas escolas hoje: não há neutralidade política, a História é distorcida para favorecer uma ideologia. São contadas mentiras ou meias verdades. Neutralidade política não significa a ausência de debate sobre os temas de ordem social, individual e política e, sinceramente, não consigo entender como um projeto que tem o inciso “liberdade de aprender e de ensinar” – liberdade de ensinar –  pode ser considerado lei da mordaça ou “lei que impede o professor de opinar em sala de aula”.
AGORA, A VERDADE SOBRE A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL:
A pobreza sempre existiu e a condição de vida antes da Revolução Industrial era muito pior. Com o acontecimento da Revolução Industrial, o trabalhador produzia mais com menos, com isso, os preços dos produtos caíram e, por consequência, se tornaram mais acessíveis para os pobres. Quem antes não podia comprar passou a poder. “Pela primeira vez na história o padrão de vida das pessoas comuns começou a se submeter a um crescimento sustentado” (Robert Lucas, prêmio Nobel de Economia).
Em relação a jornada de trabalho, é claro que, comparado aos dias de hoje, assusta ler que eles trabalhavam cerca de 14 horas por dia, já que trabalhamos por volta de 8 horas diárias, mas antes da revolução, a jornada era tão intensa quanto, e mulheres e crianças já trabalhavam, a jornada de trabalho no início do século XVIII era de 80 horas por semana e a expectativa de vida era por volta de 36 anos de idade, passando para 45 anos após a “demonizada” Revolução Industrial.
Visto isso, percebe-se que a revolução industrial não puniu os mais pobres. A comparação certa a se fazer é essa: como era a vida antes da revolução e como ficou depois dela. O mundo não muda e melhora o padrão de um dia para o outro, as coisas acontecem gradativamente e, com certeza, melhorou com o advento da Revolução Industrial.
Mas, então, surge a questão: estão mentindo nas escolas por algum interesse ou simplesmente porque não sabem história? Seja qual for a resposta, ela é, no mínimo, preocupante. E o projeto Escola Sem Partido propõe que o professor “ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, apresentará aos alunos, de forma justa, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito”.
Mas será que os professores saberiam indicar aos seus alunos de forma justa os principais autores liberais e conservadores, juntamente com os autores esquerdistas? Saberiam discutir sobre eles? E por que há esse medo latente de apresentar outros autores que não sejam de esquerda?
Esse exemplo é só sobre a história contada errada sobre a Revolução Industrial. Ainda tem muito mais.
* Jenifer Castilho é estudante de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

A verdade sobre o Escola Sem Partido

Resolvi escrever esse texto devido às inúmeras mentiras que tenho visto circular na internet sobre o Projeto Escola Sem Partido. É o desespero dos doutrinadores. Alguns, apenas distorcem as palavras do projeto e divulgam. Outros, nem o leram e passam as mentiras adiante. Típico de internet.
Estudei em colégio particular e público, universidade particular e pública também, e durante minha vida acadêmica, os professores só me mostraram um lado da moeda. Aquele clássico: o capitalismo é malvado, o socialismo é bonzinho, a necessidade da luta de classes, e o sócio-construtivismo. E por isso, durante grande parte da minha vida, eu odiava os Estados Unidos sem saber o porquê, também achava que o capitalismo era a raiz de todos os males e, quando entrei na universidade, comecei a achar que a religião, inclusive a minha, era o ópio do povo.
Como aluna de pedagogia, fui muito criticada quando defendi o ensino tradicional, pois todos os professores só concordavam e aceitavam a abordagem construtivista. Sabendo dessa lavagem cerebral que acontece dentro das salas de aula é que o projeto Escola sem Partido afirma que deve haver “o reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado”. Afinal, o aluno ainda está formando seu caráter, e o professor não pode se “aproveitar da audiência cativa dos alunos para promover seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias.
Sei que a maioria dos brasileiros, apesar de gostar de discutir sobre política, não tem o hábito de ler leis, a maioria nunca nem tocou na constituição, e existem alunos de Direito que não sabem em que ano ela foi escrita. Mas, diante da minha indignação, venho aqui para mostrar a verdade sobre o Projeto.
Eu, como participante da faculdade de educação da UERJ, já presenciei dos meus colegas argumentos como: “o projeto ameaça nossa profissão”, “é a lei da mordaça”, “não tem como lecionar sem apresentar ideologias”. Mas o que é ideologia, afinal? Ideologia é a reunião das certezas pessoais de um indivíduo, de um grupo de pessoas e de suas percepções culturais, sociais, políticas, etc. Então, de acordo com o projeto, eu, como professora cristã, não poderei ensinar a um aluno espírita que minha religião é melhor que a dele, por exemplo. E isso é errado? Claro que não! Meu dever não é de evangelizar em sala de aula, não é de converter o aluno a um lado ou outro. Esse é um papel da família.
Outro argumento que ouvi foi: “O projeto é contra o senso crítico e debates de assuntos polêmicos.” O Projeto defende a neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado, neutralidade política não significa que o projeto é contra o senso crítico; pelo contrário, ele quer que seja apresentado e discutido os dois lados da moeda: “ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade – as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito da matéria.” O professor pode ser de esquerda ou de direita, mas não pode impor o que ele pensa como verdade absoluta, nem prejudicar o aluno caso ele não concorde com sua posição política: “o professor não favorecerá, não prejudicará e não constrangerá os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas.”
Afinal, o que tem de tão assustador no projeto para ter tanta mobilização contra ele?
A resposta está no livro Maquiavel Pedagogo de Pascal Bernardin. O autor reúne documentos e pesquisas que mostram que a doutrinação que acontece na educação atual é decorrente de uma revolução pedagógica proposital com a finalidade de mudar os valores das pessoas e implantar uma nova sociedade.
No livro, é apresentado o documento publicado pela UNESCO com o nome A Modificação das Atitudes. Nele estão listados os seguintes objetivos: realizar uma transformação profunda na sociedade, modificar as atitudes na educação para conseguir uma reconversão ou uma reeducação dos valores, manipular a cultura, entre outros, ou seja, é uma reforma cultural. E para conseguir chegar nesses objetivos, os métodos que a UNESCO descreve ser necessário usar são:
– Buscar auxilio político, midiáticos dos formadores de opiniões, ou seja, usar blogueiros, artistas, políticos;
– Ampliar o poder e influência de ação de grupos, pois grupos separados são vistos como algo bom para a revolução cultural enquanto que a família é vista com efeito negativo sobre a criança;
– Programas de ações desenvolvidas para os pais, para conseguir que eles façam parte da revolução e não atrapalhem o trabalho da escola;
– Formação ativa e direcionada para os professores, para que os professores aprendam a doutrinar.
A UNESCO afirma que para que essas mudanças sejam implantadas na sociedade é preciso bloquear outros canais de transmissão de valores, como a família, ou seja, segundo eles, deve-se tirar o poder de educar dos pais e transferir para o Estado. E perceba que é exatamente contra isso que o Escola Sem Partido está lutando quando afirma: “O professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.”
A revolução busca submeter o indivíduo ao Estado tanto em seu comportamento quanto em seu psiquismo e ser, ou seja, aumentando a permanência da criança na escola, a influência do professor e o poder do Estado sobre a escola, o Estado conseguirá controlar os valores das pessoas e seus comportamentos. É o admirável mundo novo de Aldous Huxley.
O Escola Sem Partido, como o nome mesmo diz, é apartidário e por isso causa tanto medo naqueles que tem como objetivo de transmitir somente suas ideias políticas e doutrinadoras aos alunos. Você não precisa ser de direita para concordar com o projeto, precisa apenas ser honesto.
*Jenifer Castilho é estudante de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

A “CULTURA DO ESTUPRO” E O PERIGO DAS GENERALIZAÇÕES


Certa vez, eu estava na plateia de uma apresentação de uma tese de mestrado quando um dos avaliadores falou para o avaliado as seguintes palavras: tome cuidado com a generalização. No seu texto, aparece muito as palavras “nunca”, “sempre” e “todos”. Refleti sobre aquele conselho e resolvi levar não só para os meus textos, mas também para a minha vida. Então, tentarei não generalizar.
Recentemente tem se falado muito sobre estupro nas redes sociais, frases como “todo homem é um estuprador em potencial” ou “eu luto contra a cultura do estupro” choveram na timeline de muitos como a chuva na Amazônia. Até mesmo artistas, seguidos por milhares de adolescentes e, sem dúvidas, formadores de opiniões, publicaram tais frases culpando todos os homens pela responsabilidade desse ato repulsivo.
Primeiramente, me questionei em como as pessoas estavam lutando contra o estupro ou a tal “cultura do estupro” apenas fazendo textos ou trocando a sua foto do perfil do Facebook, mas foi em meio a esse movimento nas redes sociais que finalmente entendi o real perigo da generalização. Quando se diz ou concorda que todo homem é potencial estuprador, além de vulgarizar também suaviza-se o termo “estupro”. Quando se afirma que com um olhar o homem está abusando de você, você está suavizando o termo “abuso”. Quando você diz que ao receber uma cantada na rua de homem, está sofrendo violência machista você suaviza o termo “violência”.
O que quero dizer com “suavizar”? Quero dizer que quando alguém realmente for estuprada, machucada, sofrer violência, abuso, for levada à força para a cama, vão simplesmente achar que foi só mais uma olhada ou cantada que deram na rua e a vítima ficou histérica.
Perceba que em nenhum momento estou dizendo que tais costumes e práticas não são falta de respeito ou não incomodam. É claro que incomoda o fato de passar por uma obra e ouvir várias gracinhas, mas, ao invés de fazer os chamados “textões” no Facebook, simplesmente procuro atravessar a rua. Porém, desrespeito e abuso sexual são coisas distintas. Quando um psicopata estupra alguém ele está abusando sexualmente dela e desrespeitando, mas quando um indivíduo é desrespeitado não necessariamente está sofrendo assédio sexual ou estupro. E o que é a “cultura do estupro”?
De acordo com a ONU mulheres é o termo usado para se referir à maneira em que a sociedade culpabiliza a vítima e suaviza o comportamento dos homens. Por exemplo, quando alguém justifica o estupro dizendo que a vítima não deveria ter saído com uma roupa tão curta. Existe, sim, uma minoria que tem esse pensamento, mas é inaceitável generalizar e colocar isso na conta da sociedade inteira. Não é preciso ser feminista nem mulher para ser contra o estupro.
Qual é a real cultura do estupro em nosso país? Quando um estuprador cai nas mãos da sociedade, ele é linchado até a morte e quando a polícia consegue chegar primeiro e o coloca na cadeia, o estuprador é linchado pelos próprios detentos. A sociedade em sua maioria esmagadora não tolera tal ato. A sociedade entende que se uma mulher é estuprada, a culpa não é do machismo, nem da roupa que ela veste e nem de todos os homens, a culpa é do psicopata que praticou o ato, assim como a pedofilia não é culpa da beleza e da vulnerabilidade da criança.
Infelizmente para as feministas de plantão que culpam os homens por tudo de ruim que acontece no mundo (generalizei de propósito), desde os primórdios, os homens sempre foram nossos protetores. Na idade da pedra, nossos ancestrais viviam em comunidades isoladas uma das outras e elas eram cercadas por feras, animais selvagens e perigos, a sobrevivência dependia da caça, pesca e dos frutos e a ordem social era a seguinte: os homens saiam em grupos, armados com lanças improvisadas enquanto as mulheres ficavam dentro das cavernas protegidas cuidando dos bebês. Na idade dos metais, os homens carregavam pedras, aravam a terra, defendiam os portões das cidades enquanto as mulheres estavam no artesanato, cozinhavam e cuidavam das crianças. Até que surgiram os Grandes Impérios, e quando o Imperador queria dominar mais territórios enviava os homens no exército. E as mulheres, onde estavam? Cuidando dos filhos, cozinhando e tecendo. E a frase “mulheres e crianças primeiro” foi dita por um homem que também estava em um famoso navio. Durante toda a história, isso aconteceu: o homem era o provedor, o cuidador. A mulher: a mãe, a cuidadora, a protegida.
E se todo homem deve ser considerado um estuprador em potencial porque alguns marginais o são, então todas as mulheres devem ser consideradas prostitutas porque algumas vendem seus corpos? E só porque na favela existe alguns bandidos quer dizer que todo favelado é vagabundo? Cuidado com a generalização. Cuidado com os estereótipos.
*Jenifer Castilho é estudante de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

A EDUCAÇÃO COMO INSTRUMENTO POLÍTICO



Recentemente saiu uma matéria nos jornais com o título “Lula volta a criticar Dilma e quer educação como instrumento político”, mas eu gostaria de informar: a educação brasileira já é usada como instrumento político.
E baseada em que eu afirmo isso?
Pois bem, no meu primeiro dia de aula na faculdade de educação da UERJ, curso de pedagogia, o professor perguntou à turma para que servia a educação escolar. A turma, tímida com o primeiro dia de aula, ficou calada. Então, ele mesmo respondeu: “a educação escolar serve para formar cidadãos”. E, a partir daí, fiquei pensando que tipo de cidadão a escola brasileira queria formar, afinal de contas, a escola da época do nazismo também formava cidadãos… nazistas!
E quem melhor que o patrono da educação brasileira, Paulo Freire, para nos responder essa questão? E, por isso, fui atrás de respostas diretamente na fonte, nos livros de Paulo Freire, e o livro que venho comentar aqui é o chamado Pedagogia da Autonomia.
Essa obra tem aqueles argumentos que os simpatizantes do comunismo/socialismo adoram: o vitimismo, aquela ideia de que a culpa é sempre do outro, de um opressor que tem como objetivo de vida te oprimir e te alienar.  Ele cita orgulhoso o discurso de um jovem operário: “não é o favelado que deve ter vergonha da condição de favelado, mas quem, vivendo bem e fácil, nada faz para mudar a realidade que causa a favelaAprendi isso com a luta”. No momento em que li esse trecho, não pude me conter e pensei em que luta esse jovem estava mencionando, já que o discurso dele gira em torno de culpar quem vive bem. É o famoso discurso da inveja. De querer tirar de quem tem e não conquistar o que se quer. Outro exemplo desse vitimismo frequente em seu livro é quando ele fala que o “avanço tecnológico que ameaça milhares de mulheres e de homens de perder seu trabalha deveria corresponder a outro avança tecnológico que estivesse a serviço do atendimento das vítimas do progresso”. É claro, é horrível quando alguém é substituído por uma máquina, perdendo, assim, seu sustento, mas é igualmente ruim se essa mesma pessoa cruzar os braços, culpar os outros e não agir para voltar ao mercado de trabalho. Meu pai trabalhava na rede ferroviária na época em que Collor era o presidente; ele conta a história de que todo dia chegava uma lista de Brasília com os nomes das pessoas que deveriam ser demitidas e ele, um pai de família, ficou muito preocupado com o seu futuro, mas ao invés de culpar alguém e cruzar os braços, ele se especializou, estudou e conseguiu um emprego melhor. Um, não! Dois!
O professor Pierluigi, em seu livro ‘Aprendendo Inteligência’, dá exatamente o mesmo exemplo que Paulo Freire (de máquinas substituindo humanos), mas nos apresenta outra solução: “o mercado de trabalho não quer mais diplomas e títulos. Ele quer inteligência, cultura e criatividade. Você irá entrar num mercado de trabalho em que há cada vez mais gente e menos necessidade de mão de obra… então não estude mais, mas sim estude melhor. Estudando melhor você se tornará cada vez mais inteligente, mais criativo, mais culto… com isso, em vez de ser um ‘enviador’ de centenas de currículos, o mercado de trabalho é que vai correr atrás de você.” Percebeu a diferença entre o vitimismo e buscar a responsabilidade para si e lutar por um futuro melhor?
Mas se você toma a responsabilidade para si, segundo Paulo Freire, você está alienado e ajudando o sistema opressor. “Enquando (os oprimidos) se sentirem assim, pensarem assim e agirem assim, reforçam o poder do sistema. Se tornam coniventes da ordem desumanizantsAlfabetização, por exemplo, numa área de miséria só ganha sentido se realizada uma espécie de psicanálise histórico-político-social que vá resultando na extração da culpa indevida”, ou seja, devo tirar a responsabilidade toda de mim e colocar no outro, no sistema, em alguém. Nem mesmo a alfabetização se livra da doutrinação política. Deve-se alfabetizar falando de política para formar militantes para a revolução. Não é a toa que as universidades brasileiras estão cheias de analfabetos funcionais, de militantes e “oprimidos”.
Ele também é contraditório em algumas partes de seu texto, por exemplo, quando afirma que a educação em si é política, essa é a essência dela e, por isso, jamais se deve “lutar por essa coisa impossível, acinzentada e insossa que é a neutralidade”. Com isso, acredito que Paulo Freire não saiba o significado da palavra ‘utopia’ tanto usada em seu livro. Já que ele afirma que não se deve lutar a favor “dessa coisa impossível” que é a neutralidade, mas defende a luta por outra coisa impossível que é a utopia. Ou talvez, ele esteja usando o duplipensar descrito no livro 1984 de George Orwell, em que o indivíduo defende simultaneamente duas crenças contraditórias como corretas, igual àquele seu amigo do facebook que defende a democracia vestindo uma camisa do Che Guevara e elogiando o governo de Fidel Castro, Maduro e Hugo Chavez. O livro, da primeira página à última, fala sobre política e é claramente perceptível que ele quer usar a educação como uma arma para a revolução socialista: “a educação, especificidade humana, como um ato de intervenção no mundo, aspira a mudanças radicais na sociedade, no campo da economia, das relações humanas, da propriedade”. Ele não consegue (ou não quer?) separar a educação da política; o objetivo dele é transformar o aluno em massa, em peça no jogo revolucionário de luta de classes, como ele mesmo afirma: “a formação do professor deve ser encarada como ato político”. E tudo isso está escrito num livro que tem a palavra ‘Autonomia’ no nome.
Porém, a doutrinação e as técnicas de treino para a luta de classes não param por aí; ele afirma que os “oprimidos” devem se rebelar, que há dentro deles uma “justa ira”, pois foram traídos e enganados. Também é preciso fazer com que as posturas rebeldes se tornem posturas revolucionárias que os coloquem num processo de transformação. Agora você entende de onde a Maria do Rosário tira seus argumentos em defesa aos menores infratores? Para ela, é justificável o que eles fazem, pois estão se rebelando contra a opressão daquelas pessoas que trabalham e vivem bem. Para ela, foi natural o menor esfaquear e matar o médico morador do bairro da lagoa que estudou cinco anos de faculdade de medicina, mais alguns de residência médica, conseguiu seu emprego num hospital, ficava ”oprimindo” os pacientes salvando suas vidas e é culpado e opressor por viver bem.
Após essa doutrinação toda num livro que tem a palavra ‘autonomia’ no nome, Paulo Freire ainda dá um conselho errado aos pais. Ele afirma que uma pedagogia da autonomia deve estar centrada em e ter como objetivo estimular a tomada de decisões; ninguém é dono da autonomia dos outros. Até aí tudo bem. Mas, então, ele solta a seguinte pérola: “Por que não desafiar o filho, ainda criança, no sentido de participar da escolha da melhor hora para fazer seus deveres escolares?” Criança precisa de limites, de horários decididos pelos pais; se você deixá-la decidir, apenas mostrando quais seriam as conseqüências, ela vai escolher brincar, dormir tarde, ficar na internet e não fazer o trabalho de casa. O professor Pierluigi explica que quando o aluno assiste à aula, as informações obtidas nela vão para a memória de curto prazo e, para transferí-las para a memória de longo prazo, é preciso que ele estude a matéria dada no mesmo dia, antes de uma noite de sono, senão será tudo enviado da memória de curto prazo diretamente para a lixeira. Seu lema é: aula dada, aula estudada hoje!
Enfim, nunca conheci alguém alfabetizado pelo método de Paulo Freire, você conhece? Suas técnicas foram aplicadas no Brasil, Porto Rico, no Chile e não produziram nenhuma redução nas taxas de analfabetismo. Afinal de contas, o que esperar de alguém que afirma que “antes mesmo de ler Marx já fazia minhas as suas palavras”?
Pois bem, se ele faz das palavras de Marx as suas, eu termino esse texto fazendo das palavras de Olavo de Carvalho as minhas. “Não digo isso para criticar a nomeação póstuma desse personagem como “patrono da educação nacional”. Ao contrário: aprovo e aplaudo calorosamente a medida. Ninguém melhor que Paulo Freire pode representar o espírito da educação petista, que deu aos nossos estudantes os últimos lugares nos testes internacionais, tirou nossas universidades da lista das melhores do mundo e reduziu para um tiquinho de nada o número de citações de trabalhos acadêmicos brasileiros em revistas científicas internacionais. Quem poderia ser contra uma decisão tão coerente com as tradições pedagógicas do partido que nos governa? Sugiro até que a cerimônia de homenagem seja presidida pelo ex-ministro da Educação Fernando Haddad, aquele que escrevia “cabeçário” em vez de “cabeçalho”, e tenha como mestre de cerimônias o principal teórico do Partido dos Trabalhadores, dr. Emir Sader, que escreve Getúlio com LH. A não ser que prefiram chamar logo, para alguma dessas funções, a própria presidenta Dilma Roussef, aquela que não conseguia lembrar o título do seu livro preferido, ou o ex-presidente Lula, que não lê livros porque lhe dão dor de cabeça.”
*Jenifer Castilho é estudante de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

EDUCAÇÃO DOUTRINÁRIA: O DILEMA DE SER CONTRA. OU: O DESABAFO DE UMA FUTURA PEDAGOGA


Olá, eu preciso desabafar com vocês! E digo que é com vocês porque sou Pedagoga em formação, estudo no faculdade de educação da UERJ e estava mostrando para meus amigos os absurdos que aprendo sobre “o que é ser um professor” e um deles me deu a ideia de falar isso para vocês.
Bem, como eu já disse, faço pedagogia e um dia darei aula para os filhos de vocês, mas, em relação a mim, os senhores não precisam se preocupar, não quero ser doutrinadora, quero ser professora, e por isso não levo a sério o que os professores da universidade falam e estudo por mim mesma em casa, com livros, pela internet e por outros métodos. Mas gostaria de explicar melhor porque não posso e nem devo levar a sério o que meus professores universitários (ou doutrinadores?) me passam sobre o que é ser um professor.
Primeiro, esses profissionais informam que tudo que há de ruim no mundo é culpa do capitalismo e da pedagogia tradicional. Se seu filho não sabe ler direito aos 14 anos, é culpa do capitalismo e da pedagogia tradicional. Seu filho não sabe fazer conta? o professor vai dizer que é culpa do capitalismo e da pedagogia tradicional. Todavia, observem as ideias de autores adorados na Pedagogia: “O professor deve trazer à atenção dos alunos aquelas ideias que deseja que dominem suas mentes. Controlando os interesses dos alunos, o professor vai construindo uma massa de ideias na mente que, por sua vez, não vão favorecer a assimilação de ideias novas.”, frase de Johann Friedrich Herbart. Há algo de libertador nisso? Não. Nada mais que doutrinação pura. E o tempo todo recebo ensinamentos de como “superar a escola tradicional”, e fico me perguntando o que há de tão errado no ensino tradicional, já que as melhores escolas do Brasil tem ensino puramente tradicional, como por exemplo as escolas Santo Agostinho e São Bento, as escolas presbiterianas, escolas salesianas e os Colégios Militares. E também aprendo que tenho que ensinar seus filhos sobre classe social. Para exemplificar, em uma página de uma das minhas apostilas está escrito “classe social” umas 20 vezes.
Aprendo que o ensino está ruim por culpa do capitalismo opressor, que organiza as escolas de uma forma em que os filhos das pessoas mais ricas tenham um ensino que os façam permanecer em suas classes acreditando que conseguiram suas coisas por mérito próprio e que filhos de pessoas mais pobres tenham um ensino ruim para que ele continue na pobreza. Agora me explique, amigo socialista: se a chamada elite tem uma educação de qualidade, como estes mesmos dizem, porque ao invés de inventar um método novo (Paulo Freire) não imita o que já existe (nos colégios religiosos e militares) e não passa para os pobres? Vai saber, né!
Pois bem, nesse meu discurso enorme vocês viram em alguma parte eu dizer que boa parte professores nos ensinam a como ensinar a criança a ler? Não, né? Porque esses magísteres não nos ensinam.
São discutidas questões políticas, colocam a culpa no capitalismo, se fazem de vítimas do sistema, mas na hora de ensinar as crianças a ler e a escrever, não o fazem. Ensinar as crianças a fazer operações matemáticas, também não! Está aí a explicação para uma educação de pouca qualidade. Começa na formação dos professores. Eu pesquiso por fora, compro livros, assisto vídeos que possam me ajudar, mas e quem não faz isso e sai da faculdade acreditando nessas barbárie? Eu te respondo: eles, os professores, que um dia estavam na faculdade sendo doutrinados, um dia doutrinarão seus filhos. Tomem cuidado!
*Jenifer Castilho é estudante de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.